Apesar da visibilidade trazida pelo Janeiro Branco, a saúde mental ainda é tratada de forma pontual no Brasil. Para a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani, esse é um dos principais desafios quando falamos em prevenção e cuidado emocional: “Os transtornos mentais não aparecem em datas específicas. Eles se desenvolvem ao longo do tempo e exigem atenção contínua, informação de qualidade e acompanhamento adequado”.
Segundo a especialista, quadros como ansiedade, depressão, transtornos do humor, burnout e distúrbios do sono estão entre as principais causas de afastamento do trabalho e de prejuízo na qualidade de vida atualmente. Ainda assim, muitos pacientes demoram a buscar ajuda por medo, estigma ou por acreditarem que o sofrimento emocional faz parte da rotina.

“Vivemos em uma cultura que normaliza o cansaço extremo, a sobrecarga emocional, a irritabilidade constante e a tristeza persistente. Mas esses sinais não devem ser ignorados. Eles são alertas claros de que algo não está bem com a saúde mental”, explica a psiquiatra.
A Dra. Maria Fernanda destaca que o cuidado com a mente deve ser visto da mesma forma que o cuidado com o corpo. Assim como exames preventivos fazem parte da rotina de saúde física, o acompanhamento emocional também deveria ser contínuo, especialmente em períodos de maior estresse, mudanças de vida, luto, sobrecarga profissional ou conflitos pessoais.
Principais sinais de alerta para a saúde mental, segundo a especialista:
• Tristeza persistente ou sensação de vazio por semanas
• Ansiedade excessiva, medo constante ou sensação de ameaça
• Alterações importantes no sono ou no apetite
• Falta de prazer em atividades antes consideradas agradáveis
• Irritabilidade frequente e dificuldade de concentração
• Sensação de esgotamento físico e emocional
• Isolamento social e perda de interesse pelos relacionamentos
Quando não tratados, esses sintomas podem evoluir para quadros mais graves, afetando a saúde física, os vínculos afetivos e o desempenho profissional.
Dicas práticas para cuidar da saúde mental ao longo do ano:
• Observe seus próprios sinais emocionais e respeite seus limites
• Evite normalizar sofrimento constante ou exaustão extrema
• Busque ajuda profissional ao perceber mudanças persistentes no humor
• Mantenha uma rotina de sono, alimentação e atividade física
• Fortaleça vínculos sociais e espaços de escuta
• Reduza a autocrítica excessiva e a cobrança por perfeição
Para a Dra. Maria Fernanda Caliani, campanhas como o Janeiro Branco são importantes para abrir diálogos, mas não podem ser o único momento de atenção ao tema. “Precisamos falar de saúde mental o ano inteiro, com responsabilidade, empatia e informação correta. Cuidar da mente é cuidar da vida em todas as suas dimensões”.